Nós, os ocidentais sabichões do mundo contemporâneo, adoramos nos jactar do nosso amor pela liberdade - belo e opressor conceito, que, na boca de quem o costuma invocar, ou seja, os políticos, serve normalmente para esvaziar com vulgaridade uma frase, uma ideia, um discurso. Fala-se muito em Kant e Marx, portanto na emancipação do ser e tal, na tomada de consciência de que é possível tornar-se senhor da sua vida e governar seu destino; fala-se ainda na liberdade política que permite essa emancipação e na possibilidade de concretizá-la em sociedade, ao lado dos demais seres imperfeitos que compartilham desse direito.
São pensamentos que relacionam à liberdade ao ser, e passam ao largo do entendimento dos áridos impulsos inconscientes que provocam a busca pela expansão ontológica de si mesmo, ignorando o prazer ou a compulsão que se esconde sob essa necessidade. Afinal, o que é ser livre? Por que optar pela liberdade, ao invés de se acomodar à dominação do outro, à "servidão voluntária"? Há prazer ou felicidade nessa busca? São perguntas pertinentes, penso eu, e não mero axiomas.
Não tenho, é claro, a menor ideia das respostas. Mas há um aspecto da relação entre liberdade e prazer que me intriga - aquele que diz respeito ao outro, o sujeito distante que, segundo as correntes predominantes do pensamento ocidental, pouco tem a ver com a minha liberdade. Tenho dúvidas de que o ser humano consiga extrair prazer, sozinho, da soma dos atos que possam lhe tornar livre, seja sob qual prisma se pense esse estado último de espírito, aparentemente inalcançável.
Talvez por que a liberdade seja real apenas na existência do ato que a produz - falar, ler, escrever, atuar, pintar, cantar, enfim, expressar-se: amar. Esse agir, como notou Hannah Arendt, pode ser a raison d'être da liberdade e da vida plena do espírito. Ocorre-me que esses atos só possam alcançar seu real significado e prazer verdadeiro na união com o outro, no diálogo afetivo entre a minha e a sua liberdade.
Por insólito que pareça, e talvez seja mesmo, percebi isso quando c0nheci uma das prisões mais terríveis da América Latina. Os presos demonstravam um prazer quase libidinoso ao narrar as rotineiras rebeliões daquela cadeia. A excitação deles com esses rompantes de fúria me desconcertou.
Achei refúgio nas obras do ensaísta húngaro Elias Canetti, pensador que muito admiro. Ele observou, no clássico Massa e Poder, a ânsia de destruição inerente a esses momentos. Escreveu Canetti: “O próprio indivíduo tem a sensação de que, na massa, ele ultrapassa as fronteiras da sua pessoa. Sente-se aliviado por se terem eliminado todas as distâncias que o compeliam de volta a si próprio e o encerravam. Com a eliminação das cargas da distância, ele se sente livre, e sua liberdade consiste nesse ultrapassar das fronteiras”. As rebeliões, esses levantes extremos de violência, podem ser interpretados como a busca desesperada e colérica por uma liberdade perdida.
O mesmo prazer talvez encontre-se em outros fenômenos de massa : o êxtase (às vezes violento) da torcida de futebol num estádio, a sensualidade das danças ritmadas numa festa eletrônica, o vigor de algumas históricas manifestações de rua. Nessas circunstâncias, todos ali parecem buscar no outro, mesmo sem saber, a liberdade - e o prazer proveniente dela.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
As águas do Guaíba
Esta é a sua terra, disse minha mãe assim que o avião tocou o chão de Porto Alegre, eu com os olhos na janela, olhando com muita atenção o nada, fazendo que sim, os pensamentos mergulhados nas águas escuras do Guaíba, rio que desejava roubar a memória do passado que eu não vivi. Esta é a minha terra, eu repeti num sussurro, talvez em voz alta, tentando associar as palavras à verdade, ou a verdade às palavras, não sei. O que foi, meu filho? Nada, mãe, e devolvi-lhe um sorriso vazio, prontamente respondido com a mesma avareza, ela é minha mãe, eu te conheço, meu filho, fui eu que te pari. O avião taxiava preguiçosamente naquela manhã branca de verão, parecia adaptar-se à inclemência do calor gaúcho. Balançou muito, né? Nossa Senhora! Não percebi, talvez sim, o Onetti me botou para dormir. As crianças gritavam pedidos impossíveis para os pais, as crianças choravam com afinco para todo o avião, essas crianças que choram em todos os voos, inevitáveis como o pacote de amendoim ou a poltrona do meio. Não quero saber de mau humor, não nesta viagem, ela disse, eu preciso da sua força, preciso de alguém que me ajude. Então foi aqui que tudo acabou sem nem começar, a culpa deve ser das águas escuras do Guaíba, elas levaram embora as lembranças felizes da minha família, quando ela era isso, uma família, quando havia afeto, havia algum sentido, quando não havia eu. Restaram-me as sobras, os icebergs de mágoa e ressentimento, então é isso, coube a mim somente cuidar dos que sobreviveram, e eu, o que faço? As águas do Guaíba são escuras, eu digo. Sim, elas escondem o que a terra não consegue suportar, minha mãe diz, falando para algum fantasma que eu desconheço. Leve-me até a verdade, eu suplico em silêncio, leve-me até o significado das coisas que não posso entender, aponte-me o coração do sofrimento para que eu possa esmagá-lo, para que minha raiva se dissipe em suas veias sujas.
terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Tia Filhinha
Dim-dom. Dim-dom. Dim-dom.
Sou eu, tia Filhinha, abra, por favor. Sim, meu querido, empurre de uma vez e suba. O apartamento continua igual. Tia Filhinha também. Tia Filhinha não é uma senhora - é uma caricatura de 86 anos e um metro e meio, se muito. Datilógrafa do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, funcionária pública há mais de 60 anos, ela ainda trabalha, aquela danada. Tia Filhinha nunca faltou. Aham: nunca faltou. Ou ao menos é o que me asseguram os colegas, na verdade não tenho certeza, o caso é que todos pensam assim.
Faz poucos anos que tia Filhinha finalmente rendeu-se à impessoalidade dos taxistas de São Paulo. Até então, ela ligava seu fusquinha verde, supostamente 1976, há quem duvide, de segunda a sexta, às sete e meia da manhã, sem atraso, isso eu lhe garanto. Castigava o pobre companheiro por 40 minutos, tempo necessário para arrastá-lo por 5 quarteirões, até depositá-lo no estacionamento do tribunal. Na volta, às seis da tarde, o sofrimento do fusquinha prolongava-se por 20 minutos adicionais, bote aí na conta do trânsito.
Antes de ser aposentado pela mais absoluta invalidez, o fusquinha verde era a tia Filhinha do mundo automobilístico, aquele que nunca iria brilhar na Fórmula 1, mas que sempre, enquanto estivesse com as peças no lugar, cumpriria suas tarefas cotidianas com diligência e regularidade. Não reclamem: a autoria da comparação pertence a tia Filhinha, lúcida e solitária anciã, ciosa dos seus deveres e responsabilidades para com a ordem das coisas, quem sabe atenta ao significado da rotina maquinal na preservação da sua sanidade, da sanidade de quem habita por tempo demais este mundo fora do tempo.
De modo que agora ela depende dos outros para cumprir seu ritual diário de comunhão com os demais humanos. Detesto depender dos outros, diz tia Filhinha, ainda mais se os outros são taxistas. Não fale assim, tia Filhinha, essas coisas não se falam, quando muito só se pensam, a senhora fique tranquila porque já pagou sua pena neste mundo, chegou o momento de relaxar, pare de trabalhar e vá viajar, alguém pode revisar aqueles discursos do presidente, ninguém ouve aquilo mesmo. Menino, responde tia Filhinha, ameaçando soerguer-se do sofá, com todo o respeito que eu devo a quem ainda não viu nada nesta vida, você vá para a puta que lhe pariu, e vá de táxi, que pelo jeito você gosta muito. O que é isso, tia Filhinha, de onde saiu essa raiva? Você me entendeu, não se faça de sonso e vá esquentar o café.
Entro na cozinha, acendo o fogão, rindo com os olhos na água. Meu celular toca, não reconheço o número. Seu Adalberto? Sim, é ele, quem fala? É do Tribunal de Contas. Pronto, chegou a hora da tia Filhinha, ai que merda. É que estamos preocupados, o homem diz. O que houve, não me enrole, diga logo. São 11 horas e sua avó ainda não veio trabalhar, estamos preocupados, você sabe dela? Falo mas as palavras não saem da minha boca, o homem percebe, se souber nos avise, por favor.
Desço as escadas feito um coelho, as possibilidades para o fim de tia Filhinha acompanham meus pulos, meu coração salta em descompasso com eles, não acredito, eu digo, não acredito. Deixo para trás o prédio da minha infância, o apartamento de móveis antigos e estéreis, apartamento de avó, aquela casa materializada em memórias secas, cheias de poeira que ainda cobrem o rosto de tia filhinha, que embotam minha visão das coisas, não vejo os carros e a vida nas ruas, vejo somente as lembranças granuladas de um passado incerto, vejo a imagem de tia Filhinha dirigindo o fusquinha verde nas frias manhãs de São Paulo, fazendo o que sempre lhe coube.
Faço sinal para um táxi. Ele pára. Abro a porta e me afundo no banco de trás, cabeça reclinada no vidro. O motorista, hábil leitor de humores estranhos, me dá um instante. Observo meu reflexo sem vida no vidro. Para onde, moço?, interrompe finalmente o motorista, ligando o taxímetro. Para o cemitério, amigo, para o cemitério.
Sou eu, tia Filhinha, abra, por favor. Sim, meu querido, empurre de uma vez e suba. O apartamento continua igual. Tia Filhinha também. Tia Filhinha não é uma senhora - é uma caricatura de 86 anos e um metro e meio, se muito. Datilógrafa do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, funcionária pública há mais de 60 anos, ela ainda trabalha, aquela danada. Tia Filhinha nunca faltou. Aham: nunca faltou. Ou ao menos é o que me asseguram os colegas, na verdade não tenho certeza, o caso é que todos pensam assim.
Faz poucos anos que tia Filhinha finalmente rendeu-se à impessoalidade dos taxistas de São Paulo. Até então, ela ligava seu fusquinha verde, supostamente 1976, há quem duvide, de segunda a sexta, às sete e meia da manhã, sem atraso, isso eu lhe garanto. Castigava o pobre companheiro por 40 minutos, tempo necessário para arrastá-lo por 5 quarteirões, até depositá-lo no estacionamento do tribunal. Na volta, às seis da tarde, o sofrimento do fusquinha prolongava-se por 20 minutos adicionais, bote aí na conta do trânsito.
Antes de ser aposentado pela mais absoluta invalidez, o fusquinha verde era a tia Filhinha do mundo automobilístico, aquele que nunca iria brilhar na Fórmula 1, mas que sempre, enquanto estivesse com as peças no lugar, cumpriria suas tarefas cotidianas com diligência e regularidade. Não reclamem: a autoria da comparação pertence a tia Filhinha, lúcida e solitária anciã, ciosa dos seus deveres e responsabilidades para com a ordem das coisas, quem sabe atenta ao significado da rotina maquinal na preservação da sua sanidade, da sanidade de quem habita por tempo demais este mundo fora do tempo.
De modo que agora ela depende dos outros para cumprir seu ritual diário de comunhão com os demais humanos. Detesto depender dos outros, diz tia Filhinha, ainda mais se os outros são taxistas. Não fale assim, tia Filhinha, essas coisas não se falam, quando muito só se pensam, a senhora fique tranquila porque já pagou sua pena neste mundo, chegou o momento de relaxar, pare de trabalhar e vá viajar, alguém pode revisar aqueles discursos do presidente, ninguém ouve aquilo mesmo. Menino, responde tia Filhinha, ameaçando soerguer-se do sofá, com todo o respeito que eu devo a quem ainda não viu nada nesta vida, você vá para a puta que lhe pariu, e vá de táxi, que pelo jeito você gosta muito. O que é isso, tia Filhinha, de onde saiu essa raiva? Você me entendeu, não se faça de sonso e vá esquentar o café.
Entro na cozinha, acendo o fogão, rindo com os olhos na água. Meu celular toca, não reconheço o número. Seu Adalberto? Sim, é ele, quem fala? É do Tribunal de Contas. Pronto, chegou a hora da tia Filhinha, ai que merda. É que estamos preocupados, o homem diz. O que houve, não me enrole, diga logo. São 11 horas e sua avó ainda não veio trabalhar, estamos preocupados, você sabe dela? Falo mas as palavras não saem da minha boca, o homem percebe, se souber nos avise, por favor.
Desço as escadas feito um coelho, as possibilidades para o fim de tia Filhinha acompanham meus pulos, meu coração salta em descompasso com eles, não acredito, eu digo, não acredito. Deixo para trás o prédio da minha infância, o apartamento de móveis antigos e estéreis, apartamento de avó, aquela casa materializada em memórias secas, cheias de poeira que ainda cobrem o rosto de tia filhinha, que embotam minha visão das coisas, não vejo os carros e a vida nas ruas, vejo somente as lembranças granuladas de um passado incerto, vejo a imagem de tia Filhinha dirigindo o fusquinha verde nas frias manhãs de São Paulo, fazendo o que sempre lhe coube.
Faço sinal para um táxi. Ele pára. Abro a porta e me afundo no banco de trás, cabeça reclinada no vidro. O motorista, hábil leitor de humores estranhos, me dá um instante. Observo meu reflexo sem vida no vidro. Para onde, moço?, interrompe finalmente o motorista, ligando o taxímetro. Para o cemitério, amigo, para o cemitério.
Noite branca
Ergo a cabeça, meus olhos procuram conforto no colchão da noite, engano, percebo, é o brilho da lua cheia que me encontra, a música esvazia-se na luz branca, esqueço os sons de ausência que reverberam violentamente pelo chão, incomodando a tranquilidade negra de Brasília, lá está ela, digo em silêncio, lá está ela. Permaneço imóvel, sustentando o olhar da lua, a luz da lua branca arranca a memória que tenho dela, que tenho que esconder de mim. É inútil, diz ela, eu estou aqui, você está aqui, a noite nos trouxe aqui, não há fuga na noite, ela prossegue, não há sequer luta. A noite está branca, eu arrisco, sim, ela concede, é por isso que estou aqui. Minhas memórias vivem no escuro, digo, é por isso que você voltou. Eu nunca fui embora, ela diz, rindo, passeando os dedos pelos cabelos, sorriso verde de luz. Fecho os olhos e a luz se extingue. A noite retorna, trazendo de volta o frio e o barulho, não as pessoas, as pessoas não estão mais aqui, só ela e a nossa escuridão estão aqui.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Notícias de um país distante
Comandante-em-chefe há seis anos, líder moral da pátria, governando no ar fresco dos seus estratosféricos 80% de aprovação, o presidente pode muito. Do olimpo no qual ele fala, fala, fala... a nação escuta atentamente. E assimila. E concorda. E, assim, deixa-se guiar. Ao som das arengas presidenciais em favor dos corruptos, avançamos mesmerizados rumo ao triunfo da impunidade, num marchar lento porém inexorável. A memória do país não resiste à avalanche de escândalos, envolvendo deputados ou senadores, alguns obscuros, a maioria velhos conhecidos, que se sucedem sem parar na revelação de malfeitorias, desvios, abusos, ilegalidades – sempre episódios com nomes diferentes que soam iguais, em casos tão díspares que, ao final, assemelham-se estranhamente entre si. No tempo do ciclo de notícias sem descanso da internet, não há leitor atento ou cidadão preocupado que consiga fazer sentido de tamanho volume de informações: mal se sabe qual é o escândalo político do momento. Ao fundo, reverbera constantemente a voz rouca do presidente, defendendo algum desses senhores – entra dia, sai dia, entra dia, sai dia. A corrupção acaba vencendo pela exaustão. Nesse ambiente de fastio ético, qualquer fagulha de indignação extingue-se rapidamente, apagada pela descoberta imediata de algum novo escândalo, um mais insólito do que o outro.
Faulkner
O americano William Faulkner é um dos meus escritores de estimação. Sua tão admirada inventidade narrativa não me fascina por si só; invejo o uso que ele faz dela, penetrando nas frestas da consciência humana, na percepção dos conflitos e das dores que mais angustiam o homem. Com Faulkner (e outros poucos), a linguagem deixa de ser um empecilho para a literatura - e vira um bisturi para expôr as entranhas da alma.
Estava lendo agora há pouco seu discurso na cerimônia de entrega do prêmio Nobel. Alguns excertos:
"The writer must teach himself that the basest of all things is to be afraid: and, teaching himself that, forget it forever, leaving no room in his workshop for anything but the old verities and truths of the heart, the universal truths lacking which any story is ephemeral and doomed—love and honor and pity and pride and compassion and sacrifice."
"The young man or woman writing today has forgotten the problems of the human heart in conflict with itself, which alone can make good writing because only that is worth writing about, worth the agony and the sweat. "
"I decline to accept the end of man. It is easy enough to say that man is immortal simply because he will endure: that when the last ding-dong of doom has clanged and faded from the last worthless rock hanging tideless in the last red and dying evening, that even then there will still be one more sound: that of his puny inexhaustible voice, still talking. I refuse to accept this. I believe that man will not merely endure: he will prevail. He is immortal, not because he alone among creatures has an inexhaustible voice, but because he has a soul, a spirit capable of compassion and sacrifice and endurance."
Estava lendo agora há pouco seu discurso na cerimônia de entrega do prêmio Nobel. Alguns excertos:
"The writer must teach himself that the basest of all things is to be afraid: and, teaching himself that, forget it forever, leaving no room in his workshop for anything but the old verities and truths of the heart, the universal truths lacking which any story is ephemeral and doomed—love and honor and pity and pride and compassion and sacrifice."
"The young man or woman writing today has forgotten the problems of the human heart in conflict with itself, which alone can make good writing because only that is worth writing about, worth the agony and the sweat. "
"I decline to accept the end of man. It is easy enough to say that man is immortal simply because he will endure: that when the last ding-dong of doom has clanged and faded from the last worthless rock hanging tideless in the last red and dying evening, that even then there will still be one more sound: that of his puny inexhaustible voice, still talking. I refuse to accept this. I believe that man will not merely endure: he will prevail. He is immortal, not because he alone among creatures has an inexhaustible voice, but because he has a soul, a spirit capable of compassion and sacrifice and endurance."
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